Morada: Rua dos Mercadores nº 140, 1º e 3º andar. 4050-374 São Nicolau, Porto.


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Destino: Projecto Banco de Medicamentos



Na nossa intervenção no terreno, deparamo-nos muitas vezes com situações de pobreza extrema, que condicionam o acesso a cuidados de saúde a várias pessoas.

Embora se saiba que a pobreza é uma das principais ameaças à dignidade humana, não é imediatamente percetível o seu impacto no direito humano à saúde.

Segundo um inquérito realizado a 1763 famílias portugueses, a Associação de Defesa do Consumidor revelou que, em 2014, metade dos inquiridos admitiu ter falhado tratamentos ou medicamentos aconselhados por um médico, devido à falta de recursos económicos.

Através deste estudo, foi ainda possível averiguar que um quinto destas famílias teve que aprender a gerir e a reduzir na compra de bens alimentares, de forma a poder ter dinheiro para aceder a cuidados de saúde, nomeadamente a medicamentos.

Face aos dados do relatório Health at a Glance 2017 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) – que traça uma visão geral da saúde dos 35 países da organização – em 2016, um em cada dez portugueses não compram medicamentos prescritos pelo médico, uma vez que não tinham condições económicas para suportar os custos relacionados com a saúde.

Os dados de 2015 já mostravam que 28% das despesas de saúde já estavam a cargo das famílias portuguesas, o que é um valor muito alto dentro do contexto europeu, com apenas cinco ou seis países com valores mais altos. De facto, olhando em detalhe para as despesas das famílias com menores rendimentos, vemos que a maior pressão é na aquisição de medicamentos.

Esta é uma situação real, num país em que muitas pessoas são submetidas a escolher entre comprar os seus medicamentos ou assegurar a sua única refeição diária.

Muitas farmácias nacionais revelam que a escolha dos medicamentos mais prioritários tem sido uma constante, especialmente junto do público mais idoso, que tenta gerir o dinheiro da melhor forma, de modo a conseguir conciliar os custos relativos à saúde e à alimentação.

Esta situação é delicada, uma vez que se trata de pessoas de idade, cujas defesas do organismo estão em níveis baixos e ficam consideravelmente piores, pela privação dos medicamentos necessários.

A injustiça social e a desigualdade no acesso a cuidados de saúde são temas sensíveis, que a Médicos do Mundo tenta atenuar através da sua missão. Nos últimos anos, esta ONG tem distribuído medicamentos de forma gratuita, permitindo o acesso e a equidade ao apoio medicamentoso e, desta forma, a continuação de tratamentos dos nossos beneficiários.